A Escola Estadual Alberto Clemente Pinto foi palco nesta quarta-feira, dia 7, de sessão comunitária para buscar soluções para problemas de segurança. O encontro ocorreu a pedido da Associação dos Moradores do Bairro Primavera. Com base nas reivindicações – câmeras de vigilância, melhoria no acesso ao bairro e patrulhamento – , a Câmara Municipal vai elaborar um documento e encaminhá-lo aos órgãos competentes.
O vereador Jesus estava presente no local. Também assistiu ao debate o tenente Gilson Peixoto de Souza, Comandante da 2ª Companhia da BM.
A presidente da Associação dos Moradores do Bairro Primavera, Semilda dos Santos, Tita, relatou que a falta de segurança vivida pela comunidade é um problema que se arrasta há muito tempo. “Nós não podemos nos omitir, ficar sentados de braços cruzados. Me orgulho de ser moradora há 25 anos do Primavera. Não quero sair daqui e deixar esse lugar para os marginais morarem”, desabafou. Ela afirmou ter esperança na intervenção dos parlamentares em busca de uma solução para essa situação. Tita disse que a população do bairro não tem sequer um local para pagar as contas, porque três lotéricas tiveram de ser fechadas em função dos constantes assaltos. Além de ocorrências a estabelecimentos comerciais, a moradora relatou incidentes ocorridos nas ruas e nos ônibus que circulam pela região.
“As pessoas que estão aqui (na Escola Clemente Pinto) querem continuar vivendo no bairro. Hoje é só o começo. Estamos inconformados”, afirmou Tita.
BM e Polícia Civil
O Capitão Zanini informou que a Brigada Militar é a única instituição que se encontra nos 496 municípios do Estado. Em Novo Hamburgo, de acordo com ele, o efetivo é de 236 homens, havendo a necessidade de no mínimo 400. “Essa defasagem não é culpa do atual governo e nem do passado. Isso é uma herança de várias administrações”, disse. Para ele, o número ideal seria superior a 35%. Comentou que na sala de operações atuam três telefonistas e um rádio-operador. “Para uma sala funcionar 24 horas, precisaríamos de 25 pessoas. Para uma viatura rodar 24 horas, seriam necessários 10 policiais”. Zanini avalia que haveria mais impacto investimentos em viaturas e patrulhamentos em vez de postos estáticos instalados nos bairros. Citou os exemplos de municípios vizinhos – Ivoti, Dois Irmãos e Sapiranga – em que há união de forças do Legislativo e Executivo. Em 2008, a Câmara Municipal de Novo Hamburgo indicou ao Executivo a destinação de recursos nas obras da nova Central de Polícia.
O suplente de vereador Inspetor Jorge Luz, representando a Polícia Civil, afirmou que só a tecnologia não é suficiente. “Nada vai substituir o homem no trabalho de campo”, disse. Garantiu à comunidade que vai levar as reivindicações ao conhecimento do delegado Nauro Marques, da 1ª DP. O Inspetor Luz falou sobre a importância de se descobrir quem está comandando as ações violentas no bairro. Citou também a Central de Polícia, que em breve será inaugurada e que contou com recursos do Estado de R$ 1.077.000,00 e valores doados pela comunidade. Afirmou que a Lei da Fiança e a questão do regime semi-aberto dificultam a atuação policial. Encerrou dizendo que a impunidade não é culpa dos vereadores ou do gestor público municipal e estadual, é um contexto, lembrando que cabe aos deputados federais legislar sobre esses temas.
Jesus Maciel Martins (PTB) relatou que em 2009 foram realizadas audiências nos bairros São Jorge e Canudos. Na ocasião, segundo o vereador petebista, estavam presentes integrantes do governo estadual. “Os moradores disseram que houve grandes avanços”, salientou. Jesus informou que há dois meses os vereadores estiveram no bairro Primavera ouvindo a comunidade. Sobre a ações dos criminosos, o vereador apontou: “tenho certeza que se tirarmos meia dúzia de circulação, será resolvido o problema”.
Comunidade
Sandro Salazar, guarda municipal, morador do bairro há 40 anos, diagnosticou que o mal da região é o tráfico de drogas. Mencionou ainda a necessidade de patrulhamento efetivo da BM e a necessidade de pontos de referência da Brigada Militar, como havia há algum tempo no salão paroquial.
Luciano Krause, proprietário da lotérica, questionou por que a Brigada Militar fiscaliza o trânsito. Sugeriu que em Novo Hamburgo existisse um órgão destinado somente a esse tipo de ocorrência, assim como em Campo Bom. Desta forma, segundo o empresário a BM cuidaria exclusivamente da área da segurança. O Capitão Zanini disse que nas ocorrências de trânsito sem lesão corporal cabe à Guarda Municipal fazer o registro. Havendo lesão corporal o atendimento é exclusivamente feito pela Brigada Militar.
Krause falou sobre a questão do uso da tecnologia para auxiliar o trabalho dos brigadianos, como por exemplo, o uso de câmeras. O morador Deumar Leal também reforçou a necessidade de vigilância eletrônica para coibir a violência.
Gladis Blume disse que a comunidade coletou um abaixo-assinado. Indagou o que a comunidade pode esperar de resultado da reunião comunitária. Disse que por duas vezes foram marcadas reuniões com a administração municipal, que não chegaram a acontecer.
José Astor Voltz, lamentou que no bairro só haja uma entrada para o bairro. “Se por infelicidade, precisarmos de um bombeiro, ambulância, dependendo do horário vamos morrer e não vamos conseguir passar ali no viaduto”, declarou. Ele disse que essa questão também tem impacto na agilidade dos atendimentos da Brigada Militar e Polícia Civil.
fonte: camaranh.rs.gov.br
fonte: camaranh.rs.gov.br
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