terça-feira, 27 de março de 2012

Audiência Pública na Vila Kunz debate Segurança



Na noite desta segunda-feira, 26, cerca de 50 moradores da Vila Kunz reuniram-se na Escola Municipal Presidente Castelo Branco para debater formas de reduzir a violência no local. A audiência pública foi promovida pela Comissão de Segurança – integrada por Jesus Maciel (PTB/secretário), Sergio Hanich (PMDB/relator) e Volnei Campagnoni (PCdoB/presidente). Os vereadores haviam sido procurados por representantes da comunidade, preocupados com o alto índice de assaltos a comércios e residências.

Jesus lamentou os problemas que vêm ocorrendo no bairro.“Mas tenho certeza de que, se nos unirmos, vamos encontrar uma maneira de minimizar essa situação. Segurança é um problema, mas também, é um compromisso de todos. Esse é um tema de muita importância para a comunidade da Vila Kunz, é hora de juntos com a Brigada Militar, com a Polícia Cívil, com a Guarda Municipal e com a Prefeitura, darmos as mãos para acharmos alguma solução para diminuir a quantidade de assaltos, principalmente ao comércio local."

O vereador Jesus falou que é inevitável ter mais policiais e viaturas circulando na Vila, "Mas sabemos das carências da polícia, precisamos de verbas do executivo para a manutenção das viaturas".



Críticas à legislação

O diretor da Promotoria de Novo Hamburgo, José Nilton Costa de Souza, destacou que a sensação de insegurança tem raízes na política do governo federal, passando pelas ações do governo estadual e do Poder Legislativo. “Todo mundo tem sua parcela de culpa. A cada ano, parece haver uma liberalização na lei penal.” Ele criticou, entre outras coisas, as possibilidades de redução de pena através do trabalho e do estudo. “Os 20 anos se transformam em cinco.” Para Souza, mais policiamento, a preservação do local do crime e das provas, além de maior proteção à testemunha, ajudariam a reduzir os números atuais.
Marcos dos Santos, representando a direção da Guarda Municipal, disse que a corporação está disposta a ouvir sugestões da comunidade. O delegado Aírton Martins, titular da 3° DP, destacou que a crise da família e o uso de drogas são fatores que devem ser levados em consideração. Ele também apontou falhas no atual sistema jurídico brasileiro. “Não existe ressocialização de quem é preso. Quem é condenado logo está na rua.” Martins finalizou lembrando que a colaboração de todos é fundamental para que as investigações deem resultados.

A importância da articulação

O secretário executivo do Gabinete de Gestão Integrada Municipal, Mauro José da Silva, afirmou que o trabalho em conjunto dos diversos órgãos ligados à segurança tem possibilitado a realização de várias ações. “É de suma importância essa visão multidisciplinar”, disse, destacando também o papel da prevenção através do resgate social.
O secretário municipal de Segurança, Danilo de Oliveira, falou que ouvir as demandas ajuda a traçar alternativas. O capitão Wagner Wasenkeske, do comando da Brigada Militar, sugeriu que fossem realizadas mais reuniões como essa. “Se me disserem quais são as necessidades, poderemos ajudar”, disse.



Reivindicações e sugestões
Um morador que não quis se identificar afirmou que não há policiamento no bairro. “Tem um ponto de venda de drogas na minha rua.” Uma senhora afirmou que o problema maior do local é o uso de drogas entre os mais jovens. “O que o Município faz para tirar as crianças das drogas? O ladrão não começa roubando carros”, ponderou.

Afonso Kleemann, proprietário de um mercado, disse que sofreu três assaltos em um mês e, por isso, procurou os vereadores e outras autoridades. “A polícia presente inibe o crime.” Além disso, salientou que os políticos locais devem levar as demandas da população aos deputados e senadores. Irene dos Santos, que trabalha em uma padaria, também relatou problemas com assaltos. “Dá até medo de trabalhar.”

Ari Daltoe contou que seu carro foi roubado duas vezes. Segundo ele, temos, sim, leis rígidas, mas para quem paga imposto e contribui para o engrandecimento do Brasil. Outro morador que não quis se identificar disse que mora perto da delegacia e sabe das dificuldades enfrentadas pelos policiais. Mas relatou que, quando um assalto a um comércio do bairro foi comunicado à Brigada Militar, nada foi feito.

“Tudo começa pela educação”, apontou Luís Almeida. Ele pediu que a Guarda Municipal volte a ficar perto da escola, para que alunos e pais sintam-se mais seguros. “E é preciso impedir a entrada de drogas na cidade.” João Valderi disse que é preciso denunciar os problemas, sem medo, e combater as drogas. Cláudia Limongi, moradora do bairro e professora, salientou que a vila precisa de trabalho integrado, com atendimentos nas área de serviço social e psicologia. “Não temos praça – só um espaço aqui na escola. E as mães vêm solicitando cursos, mas não temos o que oferecer.” A falta de limpeza nos terrenos também prejudica a segurança, afirmou.

Resoluções
O secretário de Segurança, Danilo de Oliveira, garantiu que a Guarda Municipal estará mais presente nas proximidades da escola. Sobre o último concurso, relatou que foram mais de 800 inscritos – mas apenas 40 passaram e 26 concluíram o processo. “Vão entrar 20 guardas.” O vereador Jesus disse que as reivindicações feitas serão repassadas pela Câmara a todas as autoridades competente. Betinho frisou que, sempre que a comunidade chamar, o Poder Legislativo vai estar presente. Para concluir, divulgou o Disque-denúncia: 181.

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